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Como checamos

Tudo o que o Placar da Verdade faz, as regras que valem para os dois candidatos, onde ele erra e os dados para você conferir.

Antes de tudo

É uma checagem automática, feita por inteligência artificial, e pode errar. Por isso cada veredito mostra a frase dita, os dados e a fonte. Confira antes de compartilhar.

As mesmas regras valem para os dois candidatos. O sistema não sabe em quem você vota e não escolhe lado: ele compara o que foi dito com o que as fontes registram.

O caminho de uma fala até o veredito

  1. Ouvir. O áudio da transmissão é cortado em pedaços de 10 segundos e transcrito. Modelo: gpt-audio-mini (OpenAI), com uma lista de nomes do debate. Reserva: Whisper large-v3 turbo.
  2. Saber quem fala. A voz de cada candidato foi cadastrada antes. Um modelo compara o timbre de cada trecho com as vozes cadastradas, como uma biometria. Roda no computador do operador, sem enviar a voz para fora. Modelo: CAM++ (3D-Speaker).
  3. Separar o que importa. Um classificador mede o tom (proposta, ataque, defesa, balanço ou só conversa). Ele não escolhe um rótulo só: dá a chance de cada tipo, e o tempo de fala é dividido nessa proporção. Um trecho de 10 segundos que é 70% ataque e 30% proposta conta 7 segundos de ataque e 3 de proposta. Trecho que é só conversa nem segue adiante. Modelo: Jev (Typesafe).
  4. Escolher o que vale checar. Uma IA lê o trecho como um editor e anota afirmações checáveis (números, dados, atos de governo, leis), propostas concretas e ataques. Retórica, opinião e promessa não viram checagem. O dado específico é mantido: "recorde de mulher assassinada" é checado como tal, não como "criminalidade" em geral. Modelo: Claude Haiku 5.5 (Anthropic).
  5. Buscar as provas. A afirmação é pesquisada na web. Só vale o que foi publicado até aquele momento, e fontes de partidos e de veículos militantes dos dois lados ficam de fora (lista abaixo). A busca pede de preferência dado oficial (IBGE, Banco Central, TSE, gov.br, Congresso, STF) ou imprensa. Não usamos uma lista fechada de agências: muitos fatos do debate só aparecem em órgãos públicos ou em reportagens, e o veredito sempre mostra a fonte para você julgar. Busca: Parallel (via Gemini 2.5 Flash Lite) e Perplexity Sonar, que lê as páginas inteiras e resume o dado com as fontes.
  6. Julgar. Um juiz lê só as provas encontradas e dá o veredito com as regras abaixo. Ele só pode citar um link que veio da busca: nunca um endereço inventado. Modelo: Gemini 3.8 Flash (Google).
  7. Conferir o áudio. Antes de publicar um Falso ou Impreciso, o trecho é ouvido de novo por dois modelos de empresas diferentes. Se discordarem, um terceiro desempata. Sem maioria, outra IA lê as versões e decide se publica, corrige a frase ou deixa o fato "em revisão", fora do placar. Modelos: gpt-audio-mini, Gemini 3.5 Flash Lite, gpt-audio e Claude Sonnet 5.5.
  8. Fala repetida. Se o candidato repete algo já checado num debate anterior, o veredito revisado é reaproveitado e o card avisa ("já checado em").
  9. Revisar depois. Terminado o debate, o áudio completo é transcrito de novo e cada checagem é comparada com o que foi dito e conferida em fontes oficiais. Os avisos enviados pelo botão "Achou erro nesta checagem?" de cada card entram nessa revisão. As correções ficam visíveis no site, com o veredito anterior. Revisão: Claude Opus 5.5.

Os vereditos

Verdadeiro os dados confirmam. Impreciso exagerado, parcialmente certo ou fora de contexto. Falso os dados contradizem. Sem dados as provas não trazem dado sobre o fato: não achar a prova não torna a fala falsa.

Mentirômetro: o índice de erro de cada candidato é (falsos + metade dos imprecisos) ÷ falas checáveis. "Sem dados" fica de fora. O ponteiro só se mexe com pelo menos 3 falas checáveis de cada lado, e diferença menor que 10 pontos aparece como empate técnico.

As regras do juiz

  1. Número arredondado ou aproximado, com diferença de até ~5% do dado oficial, é verdadeiro (dizer 11 trilhões quando é 10,8).
  2. Opinião, juízo de valor ou comparação vaga que não dá para medir é "sem dados".
  3. Se as provas não falam exatamente do fato afirmado (outro período, outro dado), é "sem dados".
  4. Número na mesma direção mas fora da margem é impreciso. Falso é quando o fato não aconteceu, aconteceu ao contrário ou o número é muito diferente.
  5. Afirmação com várias partes é julgada pelo ponto principal. Se a maior parte está certa e uma parte está errada, é impreciso, nunca falso.
  6. Erro de fala evidente, com os demais dados certos (dizer 2003 quando os números são de 2023), é impreciso, nunca falso.
  7. Se a afirmação repete o que um áudio, documento ou pessoa disse, vale se o conteúdo está comprovado: acusação sem prova é impreciso.
  8. "Dívida pública" sem especificar é a dívida bruta do governo geral (Banco Central).
  9. Promessa, meta futura ou opinião pura é descartada: não entra no placar.
  10. A frase é julgada pelo sentido que um ouvinte comum entende, não pela leitura mais literal possível ("X% dos eleitores do grupo Y votaram nele" fala de quem votou, não de quem nem pode votar).

De onde vieram as provas

No debate de 18/10, das 75 checagens com fonte, 41 (55%) citaram órgãos públicos: Agência Brasil, gov.br, Planalto, Senado, IBGE, STF, Banco Central, TCU, CNJ. O resto veio de imprensa variada (CNN, Estadão, Gazeta do Povo, Folha, O Tempo, Correio Braziliense, G1, CartaCapital, entre outros), sem nenhum veículo dominando. A lista completa está nos dados abertos.

Fontes excluídas (dos dois lados)

pt.org.br institutolula.org fpabramo.org.br vermelho.org.br brasil247.com revistaforum.com.br diariodocentrodomundo.com.br brasildefato.com.br · pl.org.br fundacaoalvarovalle.org.br flaviobolsonaro.com.br revistaoeste.com brasilparalelo.com.br jornaldacidadeonline.com.br tercalivre.com.br

Onde o sistema erra (e o que fizemos)

No debate da Band (18/10), a revisão encontrou erros em 31 dos vereditos publicados ao vivo e removeu 14 checagens. A maior parte veio da transcrição: "sete e meio por cento" virou "10,5%", "134 milhões" virou "134 mil", "Eletrobras" virou "Petrobras", "posse no Irã" virou "posse na Venezuela".

ProblemaO que mudou
Transcrição trocando números e nomesModelo de transcrição novo e conferência do áudio antes de publicar falso ou impreciso
Juiz rígido demais ou brando demaisRegras 6 a 9 acima
Fala resumida de forma genérica e juiz lendo ao pé da letra (apontado por quem assistiu)Dado específico mantido na leitura, regra 5 reforçada e regra 10
Mesma fala contada duas ou três vezesTrava de repetição vale para o debate inteiro
Promessa e opinião tratadas como fatoDescartadas na leitura e no julgamento
Parte das checagens não aparecia no siteTodas aparecem

Veja o placar revisado de 18/10 e compare com o placar como ficou ao vivo.

Dados abertos

Todas as checagens, com frase, veredito, motivo e fonte. Use à vontade: em reportagem, pesquisa ou para conferir o nosso trabalho. Citar a fonte (Placar da Verdade) ajuda o projeto.

Debate de 18/10 (Band), revisado
JSON
Debate de 18/10 (Band), como ficou ao vivo
JSON
Placar atual (durante um debate, atualiza a cada poucos segundos)
JSON

O placar ao vivo do debate de 18/10 tem só as checagens que estavam visíveis no site no fim da transmissão.

O código do robô também é aberto: veja no GitHub como cada fala é ouvida, checada e julgada.

Quanto custa

A IA de um debate inteiro custa por volta de US$ 1,50 (em 18/10 foram US$ 0,53, antes das melhorias). A transcrição é uma das partes mais baratas e foi a que mais causou erro: por isso é onde mais investimos para o próximo debate.